21 de abril de 2017

Memórias da Política Externa Ativa e Altiva em Berkeley

No dia 19 de abril passado, o Center for Latin American Studies (CLAS) da Universidade da Califórnia em Berkeley, organizou uma palestra e o lançamento do mais recente livro do Embaixador Celso Amorim, Acting Globally: Memoirs of Brazil’s Assertive Foreign Policy. O livro é uma tradução adaptada do já bastante conhecido livro do ex-Ministro das Relações Exteriores (2003-2010) e ex-Ministro da Defesa (2011-2014), intitulado “Teerã, Ramalá e Doha: memórias da política externa ativa e altiva” (2015). O embaixador está fazendo lançamento de seu livro em inglês em várias universidades nos Estados Unidos (Columbia/NY, Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, MIT/Cambridge, Denver/Colorado) e Berkeley associou-se a esta importante iniciativa em prol da difusão de relatos históricos fundamentais sobre os oito anos de política externa dos dois governos do Presidente Lula.

Como ele próprio gosta de dizer, o Embaixador Celso Amorim é um “contador de estórias”, quase todas integrando de modo decisivo a história da diplomacia brasileira. Em sua palestra em Berkeley, para um público de estudantes, professores e pesquisadores, Celso Amorim enfatizou o relato sobre a mediação turco-brasileira para o programa nuclear iraniano. Surpreendeu o público, majoritariamente composto por cidadãos norte-americanos, com aspectos por aqui pouco conhecidos acerca do diálogo entre o governo de Barack Obama, em particular a Secretária de Estado Hillary Clinton, e a diplomacia brasileira. O Embaixador Amorim lembrou que Obama chegou a formalizar, por meio de uma carta, a demanda de apoio de Brasil e Turquia na mediação com o governo do Irã. O relato sobre este caso, sua cronologia e muitos detalhes fáticos não deixaram de despertar a atenção do público presente, inclusive durante o debate após a palestra.

Para um pesquisador que trabalha sobre política externa, mas sobretudo para um cidadão brasileiro que muito admirou a concepção e a implementação da política externa ativa e altiva, confesso que ouvir o Embaixador Celso Amorim durante este meu ano de “distanciamento” do contexto brasileiro aqui em Berkeley foi motivo de muita felicidade por ter ajudado a organizar o evento.

No entanto, também despertou boa dose de nostalgia em relação a um passado não muito distante em que tínhamos orientações estratégicas, tanto na política externa quanto na política de defesa, que primavam pela ambição global e pelo protagonismo regional do Brasil nas relações exteriores. Os oito anos do governo Lula durante os quais Celso Amorim foi o Chanceler representaram, sem dúvida, um dos momentos históricos em que o Brasil enfrentou o “dilema da graduação” com determinação estratégica e altivez.

Carlos R. S. Milani

Professor e Pesquisador, IESP-UERJ

Pesquisador Visitante, UC-Berkeley (entre janeiro e dezembro de 2017)

Anúncio da palestra no CLAS

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